quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O sucaneiro e o cão boqueteiro


Acho que tô ficando tonto!
Estamos de volta com mais uma história da vida real, em particular, da vida de mais um  sucaneiro mata mosquito sofredor!  Mas feliz!
Ha! A propósito, esta foto ai ao lado é para ilustrar a situação do sucaneiro numa sexta feira a tarde, após o expediente ,dia de pagamento. A cara é de quem inconsequentemente tomou todas no boteco da esquina e caiu na real de que quando chegar em casa a porrada vai estancar porque a pobre da mulher já ligou pra todo mundo pra saber aonde está o pinguço que prometeu voltar cedo pra pagar as contas e fazer compras.

Já lá pelas tantas, quando o beberrão sabe que não tem outro jeito senão voltar pra casa e enfrentar a fera ele se despede da rapaziada dizendo com a língua enrolada:
_Tô indo bando de irresponsáveis vou embora porque minha bexiga ta quase estourando!
Um outro amigo escraxa:
Socooorro! Acho que vou Morree!
_Também você tomou tudo que tinha direito e ainda não foi no banheiro! Deve sair igual a mangueira de lava jato.
Gargalhadas pela piada sem graça ecoou pelo boteco. Tudo era motivo de riso por causa da manguaça.
Fui! Exclamou o pudim de cachaça.
No caminho, com muita dor na bexiga e já gemendo de tanta dor , o infeliz resolve descarregar o líquido inflamável, já filtrado no seu organismo. Falou consigo mesmo:
AAAI! Num tô aguentando quero mijar!Socorro.
Carai! To todo mijado!
Nesse momento, o desesperado  entra cambaleando num matagal desconhecido, já com sua calça molhada, tentando desesperadamente achar o zíper, que insistia em não ser achado pelo cara, causando ainda mais terror na vítima. Ele urrava feito cachorro louco:
Huuurrr! Merda! Huurrr! Cadê este zíper, cadê! Achei! Achei! Agora é só descarregar.
Xuaaaaaaa, Xuaaaa! Esguixava aquele pobre pinto latejando de tanta dor. Não sabia ele que sentiria ainda mais em pouco tempo.
O desespero do sucaneiro despertou a atenção de um cão vadio, que  era chutado  sempre o cara  o via. Naquele momento a fera também estava muito apertado e procurando o local no seu território onde gostava de descarregar sua urina. Ao chegar encontra seu algoz, justamente encharcando seu mictório particular e com muita raiva do mixão  pois reconheceu a figura logo que o viu e no seu inconsciente, supostamente irracional, processou:
Não acredito! É o safado do sucaneiro!
_ Rrrrrumm! Canálha! Rrrrrruuuumm! Covarde! Rrrrruuuummm!Agora voce me paga!
Latiu muito até resolver partir pro ataque! Latiu como se estivesse dizendo:
Au! Au! Vai se fú comigo agora pinguço! Au! Au! Vou te morder todinho até virar picadinho seu pinguço!
O sucaneiro desesperado e com o pinto esguichando e balançando pra todo lado tenta intimidar e zoar com a lingua enrolada o cão demônio:
Caaala a boca miseravél! Para de latir! Não tenho medo de você não ta sabendo? Tu não me conhece não? Tá com raiva porque? Só porque invadi seu território? Se chegar mais perto te dou outro chute heim! Aqui pra você hó! Balançou aquela linguiça murcha na frente do pitbull de baixa renda cheio de fome.
Aquela visão inusitada na frente do cão, aguçou seu espírito de vingança e sem perder tempo avançou com toda vontade no petisco oferecido:
_Nhac! Abocanhou a linguiça do sucaneiro como se fosse a última refeição do mundo e a morte viesse após o almoço. Gritos de dor e desespero:
AAAAAI Filho da....! AAAiiii! AAAii! Solta meu pinto seu cachorro maluco! Solta! Soltaaaaaaaiiiiii!
Saiu do meio do mato com aquele bicho agarrado na sua rola que já sangrava e já tinha aumentado alguns centímetros de tanto que o cão puxava para arrancar. Quem visse  de longe acharia que era um cão fazendo boquete em alguém e o boqueteado gozando de tanto que gemia e gritava.
Após muitos socos na cabeça do danado, finalmente largou, saltando para o lado e ficando a distância balançando o rabo com euforia apreciando o estrago que fizera.
O sucaneiro desnorteado, mixado,com a rola a mostra estraçalhada e com muito sangue
 sai gritando correndo tentando achar o caminho de casa:
_Meu pênis! Socorro meu pênis! Socorre por favor! Socorre!
Vizinhos e vizinhas saem pra ver o que tá acontecendo e se deparam com aquilo. Assustadas voltam correndo:
Perai gente deixa eu explicar!
_Meu Deus um tarado! Meu Deus!
Os maridos saem em proteção as esposas com pedaços de pau e tudo que encontram pela frente:
_ Pega o tarado! pega o tarado!
O sucaneiro resolve esquecer a dor e dispara, agora em linha reta, a caminho da sua casa.
Depois dessa o sucaneiro nunca mais maltratou animais nem tampouco fez xixi no mato.
É isso ai!









terça-feira, 5 de abril de 2011

O SUCANEIRO FEDERAL METIDO A RAMBO

SUPER RAMBO SUCAM TABAJARA
              Um sucaneiro marombeiro, metido a Rambo    
tirando onda com seus amigos diz:
_ Tenho muita facilidade em entrar nas casa por causa         
do meu porte físico! As pessoas quando me vêem ficam
com medo, porque já chamo com voz grossa e autoridade!
O valentão então dá exemplos:
_ HÔ DE CASA! SUCAM DA VIGILÂNCIA
 SANITÁRIA! ABRE AI !
_ Quando chamo assim, eles olham e quando veem minha cara feia logo deixam eu entrar! Gabou-se o Rambo.
Um amigo fracote desafia:
_ Tu é macho com agente e com morador bunda mole! Quero ver quando tu achar um mais valentão que você! Vai virar uma mocinha!
O Rambo aceita a afronta e diz:
_ Vamos juntos e você vai ver que comigo é na força ou na força! Quem não quiser eu baixo a porrada! .Brincou o valentão se referindo ao personagem maçaramduba dos cassetas.
No decorrer do dia, alguns guardas reclamavam que ninguem conseguia entrar em uma certa casa, porque o morador estava arredio e não queria a visita. Então lembraram:
_ Este é um trabalho para o SUPER RAMBO SUCAM TABAJARA! Clamou um brincalhãoda turma.
Chamaram o RamboTabajara, e ele após esculachar todos os amigos, declara como o pequeno Davi da Bíblia:
_ Quem é esse incircuncisso que se atreve a desafiar as forças federais do exercito da sucam?
_ É aquela casa ali  Rambo! Mostrou um debochado doido para ver o circo pegar fogo.
O rambo então começa sua investida contra o inimigo:
_ HO DE CASA! VIGILANCIA SANITÁRIA! SUCAM! ABRE O PORTÃO AQUI!
Um medroso da turma adverte:
Hô cara! Pega leve! Senão ai é que o cara não vai atender mesmo!
_ Vou entrar nessa casa ou não me chamo Rambo!
O morador atende o portão:
_ Você é louco meu irmão! Ta pensando que ta falando com quem ?
Pra sorte do Rambo o morador não era tão forte quanto ele. O que o deixou mais animado.
_ Bom dia chefia! Falou um pouco mais manso.
_ Não sabia que você trabalhava pra mim! falou o descontente morador.
_É só uma maneira de lhe mostrar respeito senhor!
_ Haa! Muito bom!
_ Vou entrar pra fazer o tratamento na sua casa! Determinou o Rambo. O que fez  ferver os nervos do morador.
Com um ar de poucos amigos o cara rebate:
_ Como é que é! Você vai entrar sem eu te dar permissão? Se sou teu chefia, to te dando folga hoje! Pode ir embora! Ameaçou fechar o portão.
Os amigos do Rambo do outro lado da rua caem na risada e avacalham:
_ HUUU! Passou vergonha valentão e agora?
_ O Rambo que nunca levou desaforo pra casa engrossa; Estufa o peito e olhando para o cara de cima para baixo dá o comando: 
_ Sai da minha frente porque vou entrar agora! Forçou o portão e entrou.
O morador reage com altivez: 
Nossa! Que homem brabo
_ Pirou de vez meu camarada?
Não tem medo de morrer não?
Você sabe quem eu sou?
_ Não sei e nem quero saber!
Fica quietinho ai valeu?
O morador dá um ataque de piriquita e começa a esbravejar:
_Sai daqui seu invasor!
_ Saio não! Vo não! Não adianta!
O morador grita:
_ Sai! Sai Sai!
O Rambo grita mais alto:
_ Não saio! Não saio! E não saio!
O morador declara sua profissão, já quase babando de tanta ira:
_ Eu sou polícia o cara e to doido pra arregaçar um hoje! Some! 
_ Polícia da onde? Falou debochadamente o Rambo.
_ Sou polícia civil cara! Já falei! Vaza! Vaza!
O Rambo não querendo ficar por baixo também deu carteirada em alta voz:
_ TU É POLICIA? TU É POLICIA? TAMBÉM SOU! TU É CIVIL! EU SOU MAIS QUE VOCÊ! SOU FEDERAL OUVIU! VOU SOLETRAR! FE-DE-RAAAAL!Copiou meu?
O morador já de saco cheio entra correndo e alertando:
_ Tu é federal né? Perai que vou te mostrar o que eu faço com  os federais! 
Que merda! To ferrado!
Voltou com um facão riscando o chão, feito jagunço de lampião e parou perto do Rambo, que quase se borrando nas calças não saiu do lugar. Só conseguiu falar baixinho e bem mansinho:
_ Perai moço! Pera ai! Não precisa disso não pô! O que que o senhor vai fazer com isso?
_ Vou te responder o que eu faço com os federais! Voce é federal não é?
_ Sou sim senhor!
_ A  loteria tambem é! E sabe o que eu faço com o jogo quando eu não ganho?
O agora Rambito respondeu encolhidinho:
_ Sei não, senhor!
O enfesado morador circulou o Rambo riscando o facão no chão e com um grito aterrorizador respondeu:
_ EU RAAAASGO! EU RAAASGO! EU RASGO ELA E VOCE AO MEIO! PORQUE COMIGO É NA FACAAADA!
Nem precisou mandar correr. O rambo e seus colegas, que até o momento se divertiam, entraram na dança e correram ate cansar.

Polícia federal é!? Vai nessa!!

RAPIDINHAS DE SUCANEIROS

O MENINO BURRALDO

           Dois sucaneiros mata mosquitos, após uma caminhada de quase dois kilometros e sob um sol escaldante de 40 graus, chegam  ao portão de uma residência e avistam a casa no terreno em uma distância absurda e resolvem chamar o morador, ao invés de se arriscarem a entrar e serem mordidos por cachorros.
           Ao longe avistam uma pessoa e começam a gritar:
_ Ho de casa! Moooçaaa! Aloooo! Sucam! Se esguelaram até descobrirem que era em vão.
_ Acho que não vão nos ouvir não amigo! E não tenho forças, porque a garganta esta seca de tanta sede! Falou um quase mudo de tanto gritar.
Resolveram então pegar um pedaço de pau amarrar a bandeirinha que sempre levavam para pôr nos portões e balançar ate que alguem visse. Deu certo.
_ Olha lá! Vem um garoto correndo.
_ Ainda bem.
Após quase três minutos o guri chega bufando,porque a distancia era grande.
_ Fala moço o que é que o senhor quer? Resmungou o guri revoltado pela corrida que deu.
_ Somos mata mosquitos da sucam e queremos fazer o tratamento com inseticida  na sua casa. Falou o guarda.
Respondeu o guri com sotaque bem puchado:
 _ Num posso deixa ôces entra sem primissão da mainha não! Pera só um pouquinho que já vorto.
Antes mesmo que os sucaneiros pudessem detê-lo o foguete mirim sai em disparada.
_ Ho rapaz! Ho rapaz! Volta aqui ho caipira! Muito tarde. Não deu tempo.
_ Caramba cara! Esse guri vai deixar agende esperando mais 10 minutos? Não acredito! Vou morrer nesse sol! Falou o desfalecido.
Consolou o amigo.:
_ Guenta mais um pouquinho! quando ele voltar a gente entra e já termina o expediente nesta casa.
O guri aparece no horizonte correndo mais veloz que antes como se quisesse se livrar daquela missão.
 _ Ate que enfim vem o moleque! Não to aguentando mais!
_ Calma amigo! Calma!
O garoto vem se aproximando: 100 metros, 50 metros, 20 metros, 10 metros 5.4, 3, 2, 1 e responde mais rápido que um relampago sem parar a corrida:
_ Mainha disse que num qué comprá inseticida não! Vorta mês que vem que ela disse que compra!
Virou-se ligeiro e zarpou de volta.
_ Moleque infeliz! Volta aqui seu burraldo! Volta! Vooooolltaaaa.
Quase chorando de tanto calor e sede os sucaneiros voltam não acreditando no que aconteceu..

O SUCANEIRO E O CABÓCLO BEBERRÃO



1995 Mangaratiba/RJ atividade de visita domiciliar.
Quando chegamos ao município fomos hospedados no BRIZOL PÀLACE HOTEL  na praia do saco mais conhecido como CIEP.
            Guardamos as tranqueiras no vestiário  do luxuoso hotel, que também seria nosso quarto coletivo, com camas super confortáveis de concreto, que de dia eram bancos.      Voltamos para rua e ficamos zanzando pela orla, até os alunos hóspedes do dia saírem e deixarem o hotel só pra nós à noite. Que beleza!
Revoltados, os sucaneiros que só querem um motivo para encher a cara e este era um ótimo motivo para isso, encontraram um bar na medida das suas necessidades. Vendia desde fogo paulista à pura cachaça local. Beberam, beberam, beberam até não aguentar mais.
Já tarde da noite, o grupo resolveu voltar e como sempre, trazendo nos ombros o bendido pudim de cachaça que sempre nos deu trabalho.
_ Eu quero morreeeeer! Eu quero morreeeeer! Gritava o ébrio.
_  Cala a boca o escandaloso! Vai acordar os moradores! Repreendeu um amigo.
_  Não me manda calar a boca senão te meto a por... Piiiii.
 Outro amigo brinca:
_Tu não ta aguentando nem um peido e ainda quer brigar?
O bebum busca ajuda:
_Eu não ando sozinho não, ta sabendo? Vou chamar meu protetor.
_Hrum, hrum, misinfio, cê me chamou! Já to aqui! Hum! Hum! Falou uma voz rouca e tenebrosa vindo das cordas vocais do bebum, que curvado, parecia mais um corcunda de Nodre Dame.
Com medo, os amigos largam o cara e como num passe de mágica ele ficou bonzinho da silva com as mãos na cintura dizendo:
_ Quem é que quer maltratar meu cavalo ai?
 Entre risos e medo, sem saber se era sacanagem ou não, a turma para e se questiona:
_ Será que ele ta com o bicho ruim mesmo?
_ HO! meu irmão! Larga de palhaçada e vamos embora! Bronqueou um meio cético.
_Ta falando comigo sem pedir permissão?  Respondeu a entidade dando uma corridinha em direção ao cara. Na dúvida ele também correu para longe.
Risos sem parar, dos outros que assistiam se divertindo.
 O caboclo beberrão olha pra todos ao redor e ordena:
_ Podem ir! Deixa meu cavalo aqui.
_ Sem nenhuma pergunta e com medo, os sucaneiros vão se afastando:
_ Não quero papo com coisa do outro mundo não! Isso dá azar. Falou um sucaneiro medroso saindo pela tangente.
_ E agora? Como vamos fazer esse espírito ir embora pros quinto dos infernos? Falou um amigo do cavalo ébrio.
_ Um espertalhão metido à médium toma a frente:
_ Chá comigo! To acostumado com isso.
Sorrateiramente e com muito jeitinho o metidão começa:
_ Dá licença seu entidade!
_ O que você quer missinfio?  Responde o suposto espírito.
_ Sô da mesma clã e tenho muito respeito pelo senhor seu entidade! Libera o cavalo ai! Ele tem que trabalhar amanha e já é tarde. Libera ai vai!
_ Hruuum! Num sei não misinfio!
A turma que ainda estava no local não se agüentava de tanto rir daquela situação hilária. Chegaram a cair no chão sem forças..
- Libera ai sua entidade! Que te acendo uma vela! Negociou o candidato a pai de santo. -Só vô subi se eles pararem de rir do meu cavalo!
O negociante então dá esporro:
_ Pera ai gente, parem de rir que ele vai liberar! Ta dando certo pô!
_ Então sua entidade! Vai liberar o cavalo agora não vai?
_ Hruuum, num sei não misinfio! Hum! Hum!
Um sucaneiro ateu, muito nervoso, que já havia resolvido problema parecido com o mesmo cara, resolve intervir:
_ Segura a onda do caboclo ai que já volto com a solução.
Em poucos segundos voltou gritando feito louco para sessão do descarrego: _Saaaaaaaaaaaaiiiiii! Sai da frente!
-Slap! pow! tum!, slap!  Só se ouviam onomatopéias.
_ Sai dele agora em nome desse bambu! Sai! Espírito beberrão! SAAAAIII !
Tentaram evitar, mas foi muito rápido!
Alguém exclamou:
_Matou o miserável! Matou!
_Ta doido cara?
_ Não esquenta não, se for espírito ruim não sente dor!
_ Aaaaaaaaaii minhas costas!  Gritou o cavalo.
_ Quem tá ai? Perguntou o exorcista e aspirante a padre quevedo.
Com falta de ar e muita dor, mas agora sóbrio, com muito custo o cavalo responde:
_ Ele já foi! Ele já foi! Para! Ele já foi!
Abalado com a falta de consideração da entidade o bebum reclama:
_Nunca aconteceu isso! Ele sempre ta comigo, mas desta vez ele foi embora, levou minha cachaça e ainda saiu antes de eu levar as pauladas. Ai que dor!
Não tivemos condições de dormir naquela noite dada as circunstancias do ocorrido.
O cavalo?
Dormiu do lado de fora no gramado da escola,  pra ver se aprendia a beber menos.




domingo, 3 de abril de 2011

SUCANEIRO E A PIMENTA NINJA

 1997 Ilha de Itacuruçá. Atividade de visita domiciliar e desinsetização.  

             Ficamos numa casa confortável no meio da mata.  Doze homens e nenhum segredo. Todos sabiam quem era aquela turma estabanada que visitava as casas com aquelas bombas ridículas que mais pareciam máquinas de vender Chá. Sujávamos as paredes das casas e fazíamos dos moradores prisioneiros fora das suas casas, às vezes na sacanagem por horas. Só precisava ficar meia hora longe do inseticida.
_ Meu filho isso ai é pra matar o mosquito? Perguntavam os moradores.
            Alguns sacanas aproveitando da ingenuidade dos pacatos moradores respondiam:
 _ Mata o mosquito e o senhor também! Tem que ficar aqui fora pelo menos 2 horas.       À noite, quando nos reuníamos para jantar, contávamos as maldades para passar o tempo.
             Nosso jantar era arregado no tempero. Parecia um banquete para esfomeados. Costela com batata, angu, farofa, feijão cheio de salgado. Uma miscelânea só! Fome nessa viagem ninguém passou.
            Um insatisfeito dentuço e narigudo que já tinha pagado um mico em Angra, reclama:
_ Esse rango ta muito bom, mas ta faltando pimenta no tempero!
_ Você é maluco cara! Esqueceu que tu tens Hemorróida! Brincou um sacana.
_ Num tenho esse negócio não e como qualquer pimenta que me der!
           
             No dia seguinte arrumamos uma malagueta só pra ver se ele dizia a verdade. Caímos na asneira de experimentar e quase morremos. No dia seguinte um sucaneiro chama:
_ Hô boca de fogo! Tem uma pimentinha pra você. Falou um amigo da onça.
_ Beleza! Agora sim vou comer bem. Na hora do almoço vou mandar ver.
 Não víamos a hora de ver o show.
 No almoço o cara pega o caldo da pimenta curtida e enche o prato.
_Não quero nem ver que merda vai dar! Vou sair daqui. Reclamou um medroso achando que o cara ia morrer. Os outros riam sem parar antes mesmo do dentuço começar a comer.
 _Vocês são tudo otário! Isso aqui deve ta muito fraco!
 _ Hum! Que delícia! Me dá mais! Hum! Saboreava o dentuço.
 Sem acreditar naquilo e decepcionados com a maldade frustrada, o grupo comenta: Que boca é essa meu! Ta anestesiada de tanta cachaça narigudo? Tu não ta sentido arder? _Só um pouco. Parece molho de pimenta!
           
            Saímos para o expediente da tarde sendo sacaneados pelo dentuço.
 _Vocês são tudo uns maricas! Dizer que aquilo é pimenta e brincadeira!
_ Um sucaneiro semente do mal que não gostava de levar desaforo pra casa promete: _Deixa que vou achar uma pimenta que te satisfaça dentuço!
            O sucaneiro semente do mal, comentando com um morador o ocorrido, descobre que o cara tem uma pimenteira no quintal que produz uma espécie de fruto espetacular e pede uma para experimentar. A noite, após todos terem jantado, com exceção do dentuço que ficou enchendo a cara num boteco, fomos apresentados ao maldito fruto da pimenteira. _Pessoal! Chega aqui que vou mostrar um negócio!
 O cara tira da bolsa um fruto estranho que mais parecia uma mistura de pitanga gigante com abóbora moranga.
 _Que merda é essa? Perguntou um curioso.
 _Pimenta malagueta! Peguei na casa de um morador.
_ Se isso for pimenta deve ser a mãe de todas. Nunca vi um troço desse tamanho.
_ O que você vai fazer com isso? Perguntou um guarda.
O semente do mal com olhar de vingança já quase crescendo o chifrinho e o rabo, entre os dentes responde:
_ Vou colocar na comida do dentuço que tirou sarro da nossa cara.
_ Do jeito que o cara é boca de fornalha não vai fazer nem cosquinha! Falou um cético amigo de copo.
           
            O candidato a gárgula do inferno, sorrindo, faz picadinho daquela coisa verde clara e mistura no feijão do prato do dentuço e deixa sobre a mesa até o infeliz voltar da sua cachaçada.
_Vamos ver televisão até ele chegar! Falou sorrindo.
_Você colocou aquilo tudo? Perguntou o amigo de copo do dentuço.
_ Fica quietinho e não fala nada senão também faço tu engolir um pouco ! Esbravejou o possuído.

            O portão da casa se abre e capengando o dentuço entra. Cheio de goró, cheio de fome, cheio de sono e com muita raiva esbraveja:
 _Vocês estão de Alemanha comigo! Cadê minha comida? Ta tudo limpo aqui na cozinha!
 Alguém responde:
_ Já lavamos a louça, mas deixamos teu prato preparado em cima do armário.
_ Ha ! Então ta bom!
_ E a pimentinha? Perguntou debochadamente.
_ Ta todinha no teu prato boca mardita! Respondeu o concorrente a cramunhão.
A turma, apreensiva pelo resultado, se olha e se questiona:
_ Será que ele vai aguentar?
De repente na cozinha...
Copos caindo no chão, esbarrões no fogão, socos no armário, mas nenhuma voz se ouvia. Todos na sala ao lado não tinham idéia do que ocorria com o infeliz.
Alguém então pergunta:
 _ E ai dentuço! Ta boa a comidinha?
 Uma cabeça humana feito tocha de fogo surge na sala. Mãos no pescoço, olhos esbugalhados, respiração ofegante, boca aberta cheia de comida. Parecia um filme de terror.
_Meu Deus! Meu Deus! O cara vai morrer! Gritou um desesperado.
_ Olha o que você fez Maldito ? Esbravejou o amigo de copo se referindo ao causador daquilo tudo.
_Dá água pra ele! Dá água pra ele! 
_ Não dá! Ele ta entupido de comida!
 Derrepente, como um balão de gás que chega a saturação, o dentuço explode de raiva, fazendo chover em nós todo conteúdo de comida da sua boca:
 _Seus F$$$#&@*&¨%$#¨da %¨$#@%& quem é o maldito que quer me matar? . Água! Água!Pelo amor de Deus, água! Eram 3 horas da manhã e ninguém conseguiu dormir por causa da adrenalina que tomou conta de nós. O narigudo? Não quis nunca mais saber de comer prato feito. Ilário !!!!!


terça-feira, 29 de março de 2011

O SUCANEIRO E O MARIDO LUTADOR DE JIU -JITSU



1993 RJ. Atividade: desinsetização para combate ao Aedes Aegipy.
             A rotina dos trabalhos em certas áreas, cria vínculos que as vezes se confundem com amizade e cria situações inesperadas por parte de alguns moradores e sucaneiros imprudentes, que se acham conhecidos de todos no local. Não é bem assim que funciona.

 _ Vamos fazer hoje o quarteirão 45. Determinou o guarda chefe a toda a equipe.
 _  Ta de Graça chefe ? São quase 2 km até lá! .
 _  Nosso trabalho é no campo sucaneiros ! Respondeu o combatente de mosquitos.

            Uma dupla parte para o local conversando sobre a área de trabalho:
 _ Nós já estamos aqui nesta área a quase dois anos não é ? Perguntou um simpático sucaneiro, baixinho, cabeça de abóbora, de bigode exagerado, muito caracteristico, que a todos cumprimentava.
_ Já somos bem conhecidos ! Isso é bom porque quase não tem recusa. Respondeu o amigo.
             Um morador chama:
 _E ai garotos! Querem tomar um cafezinho? Entra aqui!
Um gole era certo em qualquer casa.
            Ao chegarem na área começaram as visitas.
            O amigo do toco de amarrar jegue o alerta:
_ Companheiro, não abusa da confiança dos moradores não tá!
_ Entra sempre acompanhado pra não dar problema!
_ Deixa de ser medroso! Aqui nós já é de casa!
             O nanico chega numa casa já conhecida e nem precisa bater palmas:
 _ Dá licença! To entrando heim! Bom dia ! Bom dia a todos!
 A moradora, que já o conhecia, manda-o entrar e ficar á vontade enquanto ela conversava com uma vizinha no portão.
_ Vou furar umas latinhas aqui no quintal e já faço a parte de dentro ta bom?
_ A casa é sua baixinho fica à vontade! Respondeu a moradora, sorridente como se ele fosse da família. Inseticida pra lá pra lá... inseticida pra cá pra cá... Fura latinha... olha o prato de xaxim... colhe uns focos... borrifa aqui... borrifa ali e finalmente o filhote de anão se prepara para entrar na casa:
 _Vou olhar a parte interna ta legal ?
 Pobre sucaneiro... Se ele ouvisse a profecia do seu amigo que pediu pra tomar cuidado com o excesso de confiança...
_Vou começar pela cozinha! Falou consigo messmo.
 _ Vou pegar um cafezinho aqui valeu? Avisou o abusado já com a garrafa térmica na mão.
_Huuum que isso aqui? Pãozinho? Vou comer um também!
 Sentou à mesa como se fosse sua. Se ele soubesse o que lhe aguardava... saía dali correndo e não voltava mais.
Após se banquetear, o desavisado parte para o quarto da moradora e com seu saquinho de larvicida  na mão, entra direto no banheiro para tratar o ralo e assinar o boletim de visita 201 que ficava sempre colado na porta. Ao entrar nem se conta que na cama tinha uma jamanta dormindo de ressaca do dia anterior. Era o marido da moradora que nunca tinha visto o sucaneiro na vida.
 _ Que banheiro maneiro! vou lavar as mãos e o rosto! Curtiu o abusado.
 Ao ouvir o barulho, o jamanta acorda babando feito um cão buldog e pergunta com uma voz que mais parecia um trovão:
_Quem ta ai no banheiro?
Um calafrio tomou conta do sucaneiro que não abriu a boca, só refletiu e pensou: _ Caracas! Que merda!

 E merda, foi o que o cara literalmente quase fez, quando olhou pela greta da porta e se deparou com aquela mistura de Mike Taison com Maguila da familia greice, de sunga, vindo em sua direção. Era um lutador de jiu-jitsu que havia perdido uma luta no dia anterior e tava doido pra descontar em alguem seu prejuizo.
Foi à conta certa. Abriu a porta do banheiro e lá estava encolhidinho num cantinho, aquela coisa meiga de bigodinho com as mãozinhas na boca. Parecia até o gato de botas do filme do Shurek. _QUE POR... Piii É ESSA DENTRO DO MEU BANHEIRO MULHER? . Rosnou o lutador.
 No portão, a mulher do cara que estava conversando com a vizinha, põe a mão na cabeça e desesperada sai correndo:
 _ Meu Deus! O brucutu vai matar o sucaneiro! Esqueci que ele estava em casa!
 No banheiro, o baixinho já de joelhos com cara de mocorongo tenta conversar:
_ Pelo amor de Deus moço! Eu posso explicar.
_ Explicar que você ta dentro do meu quarto esperando a minha mulher? Ricardinho safado! Vou te partir ao meio canalha!
Uma joelhada tipo muay thai estancou no nariz do sucaneiro e o melado desceu.
O cara levantou o sucaneiro anão até a altura da porta e bateu nela com ele ate ficar molinho feito marionete com as perninhas balançando .
Aos Socos e pontapés o sucaneiro anão saiu correndo, deixando para traz todo seu material. Correu sem rumo, cambaleando até o portão quando encontrou seu amigo que o avisara.
_Que isso cara?! Que te aconteceu? Perguntou assustado o amigo ao ver aqueletrapo humano.

 Sem fôlego e com a mãozinha com pelo menos três dedos quebrados, cheio de sangue na cara, olho arregalado nada conseguiu responder. Só tremia.
A primeira coisa que disse foi:
_Aiiii! Aiii! To todo quebrado. Fui massacrado. Pensei que ia morrer! O cara nem deixou eu me explicar! Pensou que eu fosse o ricardão e me baixou a porrada. Cabisbaixo e gemendo de dor o humilhado sucaneiro volta a casa da moradora para buscar seu material. Confiando na turma do deixa disso que estava no local para acalmar a fera.
 Ele entra de novo na casa e aguarda desculpas do lutador e para sua surpresa...
_Tu não ta satisfeito não safado? Quer mais?
Falou o lutador correndo em direção ao fragil sucaneiro.
Mais socos e pontapés acompanhados de uma bombada na cabeça.
E o que  era pra ser concilição virou pancadaria de novo.
Um fim trágico! Mas também cômico.
 Sucaneiro sofre viu? 




domingo, 6 de setembro de 2009

SUCANEIQRO " R " X SUCANEIRO "L" . QUEM IRÁ VENCER ?


Paraty ano de 1997. A história se repete! Viagem da equipe para Paraty.

            Tranqueiras prontas, alimentação, para não passar fome como em outras viagens, pandeiro reco reco e o tão famoso banjo do amigo sucaneiro metido a astro.
             Partimos e chegamos ao entardecer. Desta vez já sabíamos o alojamento seria em uma escola num bairro antes da cidade.
             Água de poço, sala de telhas francesas com morcegos à noite pra dar e vender. O acesso para escola lembrava a igreja da penha no Rio com uma escadaria em zig e zag com 120 degraus e cinco patamares para que em cada lance da subida, se tomasse fôlego para continuar o martírio. Às vezes preferíamos lanchar na rua a enfrentar a dita cuja. Era duro!
            A escadaria era motivo de peleja entre os sucaneiros. Um relaxado entre eles diz:
_ Puxa vida! Que meleca! Esqueci meu lápis La em cima!
_ Vai buscar!  Disse o chefe.
_ Nem que me pague um mês de diárias! Não sou cabrito!
_ Um quizumbeiro do grupo apimenta:
_ Vai escrever com o dedo? Eu só tenho um lápis! E tu não tem dinheiro pra comprar porque não traz pra rua!
_ Alguém vai dividir um comigo não vai? Todos respondem:
_ Nuuuuuunnnca seu bosta! Se vira!
_ Então ta, vou sem lápis!
O guarda chefe, que não nutria muitas afeições pelo cara adverte:
_ Se tu vai escrever com o dedo com pedaço de pau eu não sei. Quero a produção.
_ Larga meu anjo da guarda R me deixa senão não vai dar certo!
           
            Passados três dias de muita contenda, por causa da distancia das localidades do trabalho e atrasos dos companheiros na volta para o almoço na escola, porque alguns preferiam experimentar todo produto dos alambiques do local, todos estavam num estresse só. Um atentado diz:
_ Ooh Kenni Roger! Um trocadilho para Caninha da roça. Ta pensado que a vida é só mé meu filho?
_ Se fosse, isso aqui seria o paraíso! Respondeu o suca já Trocando as pernas.
O supervisor pergunta:
_ Cadê o R chefe de Tuma?
_ Deve ta lambendo todas por ai! Aposto! Vai nos atrasar! Respondeu o adversário do sumido. Ele estava dando um tempo do álcool e dizia ser crente agora.
De repente la vem  o R  cantarolando:
_ Teeeeempo bom, le le, não volta maaaaaaais. Saudaaaaade é o que o tempo traaaaz.  _Que isso meu! O R ta doidão! Disse um pigmeu com ar de espanto.
Ninguém conseguiu se segurar e a raiva se converteu em gargalhadas descontraídas.   _Vocês podem rir, mais o L não! Tu não me engana com esse ar de puritano não safado! Quero ver se vai aguentar a tentação ate sexta feira! O L incorpora o bispo Quevedo e exorciza:
_Pra traz de mim satã! Vou te resistir!  Vá de retro, de frente , de costas, mas vaite.
            Na quinta feira, um dia antes de voltarmos, o semblante do então dito ex alcoólatra mudara radicalmente e víamos nos seus olhos o brilho do desespero ao ver as goladas que os tentadores davam em sua frente e ofereciam:
_ Vai lamber uma ou não vai L? Alfinetavam.
_ À noite, o então sucaneiro metido a crente, sentado num banco que ficava fora da escola e dele se permitia avistar a paisagem do mar, refletia sobre sua nova vida e num tom aveadado cantarolava:
_ Se as águas do mar da vida.
Quiserem te afogar.
Segura nas maõs de Deus é vaaaaaaai. O perturbado atrapalhou:
_ Vamo lambê uma irmão ! kaa ka ka ka. Debochou.
_ Larga meu anjo da guarda R e aceita a Jesus também! Me deixa!
O L responde:
_ Você não me engana! Tu não é crente nada! É só sair daqui que tu vai se acabar na mardita! O irmão quase chorando clama:
_ R! Pelo amoooor de Deus me esquece! Tu ta sendo usado pelo capeta pra me tirar a paz!
O R se aproxima do irmão que estava de costas e nem o viu, e no ouvido dele grita: _QUEM TÁ COM O CAPETA E TU SAFADO!
O sucaneiro irmao dá um pulinho meio gay  e esbraveja:
_ Ui! Pra traz de mim satã, pra traz de mim!
_ R to ficando nervoso! Não posso perder a calma! SAI DAQUI!
_ Num saio! E quem é que vai me tirar?
O resto do grupo querendo ver o circo pegar fogo atiça:
_ Hii... Acho que o R ta com medo do L! –
_ Dessa bichinha? É ruim heim!
Depois de tanto perturbar o pobre do beato L, o R vira as costas pra sair de perto e recebe um presente:
_POOW! SOCHK! POOW! PÁ! TUM!
Um cruzado de direita no pé do ouvido do R, um murro de esquerda tipo martelada nas costas e outro cruzado na nuca do R, que perdeu as estribeiras e foi parar a cinco metros próximo às panelas de comida estava prontinha para a janta na varanda da escola.
_ Vai derrubar a comida o infeliz! Reclama o cozinheiro empurrando-o de volta ao irmão que armado em punho já o esperava:
_ Vem capeta! Vem capeta!
 O suposto capeta reage rosnando e  quase espumando de raiva:
_ HAAAAAAAAAA, vou te matar desgramado! Vou te matar!
O irmão levou uma gravata e foi puxado pelo R até caírem:
_ BRAM! PLOF! TLUFF!
_Salva! Salva! Salva! Salva a comida cacete! Gritou desesperado o cozinheiro da turma que acabara de colocar a panela de carne na linha de servir e via tudo caindo pelo chão. Tarde demais. Os gladiadores rolavam pelo chão entre panelas de arroz, feijão e muita carne ensopada.
Um bebum gordo feito uma porca tenta separar e cai.
_Cabrum!
O chefe é chamado:
_ Separa aqui Gil! Vai matar o cara! Dizia o bebum. Que caiu, mas não largou os dois. Mas um chega e gruda também. Caiu! Cabrum!
O chefe chega perto da bagunça e o R Bufando pede:
_Canta um hino ai Gil! Canta um hino ai! Até hoje não entendi. Como se cantar fosse fazê-lo desgrudar do pescoço do cara.
           
            Já quase morto e sem fôlego e seu pomo de adão aos frangalhos, Todos resolvem intervir:
_ Pega no braço que eu pego nas pernas e vamos puxar pra ver se desgruda!
Um que não quis se meter porque ficou sem comida, aos risos diz:
_ Joga água! To agarrado igual cachorro!
Puxa pra lá puxa pra cá e finalmente desgrudou.
O sucaneiro irmão dá um ataque de pastor e começa:
_ O que Habita no esconderijo do altíssimo à sombra do onipotente descansará.
_ O que Habita no esconderijo do altíssimo à sombra do onipotente descansará. Repetiu ate não agüentar  a mais.
A turma do deixa disso, que na verdade acabou deixando o pobre irmão quase morrer, pagou pela maldade e ficaram lamentando a comida pelo chão.
O sucaneiro irmão sai da sala depois de quase meia hora e procura uma garrafa desesperado:
_ Cadê, cadê, cadê!
_ O que ta procurando L? Pergunta um do grupo.
_ A garrafa da Coqueiro! Achei! Vibrou com os olhos brilhando.
_ Não vai quebrar isso na cabeça do cara né? Chega de briga! Me dá isso aqui!
_ Não! Olha o que eu vou fazer! Glup, glup, glup, glup... Um barulho refrescante se ouviu:
_ Haaaaaaaaaa! PEQUEI! Desabafou o L.
 A cachaça venceu!

sábado, 5 de setembro de 2009

O SUCANEIRO E O BRIZÓL PÁLACE HOTEL.


Numa de nossas viagens para o município de Mangaratiba, entre tantas que fizemos, nunca vimos nada parecido.
            Mais uma vez estávamos a mercê dos responsáveis do município para nos alojar. Desta vez usariam de toda criatividade do mundo e nos colocariam num super hotel na Praia do Saco. Com vista para o mar, um super banheiro, só que coletivo, entende? Quadra de esportes, cobertura, piscina e biblioteca. Era completo. Assim imaginávamos. A narrativa do hotel pelo responsável de nos levar ate lá, nos encantou e nos deixou apreensivos enquanto a viatura nos conduzia pelo caminho.
            Ao passar pela orla, um assanhado sucaneiro já se programava, ao ver as banhistas com seus mini biquínis:
_ Desta vez eu vou me dar bem! A noite vou sair para caçar umas mulé dessas. To na febre do rato.
Um outro sucaneiro o adverte:
Rato também pega AIDS Mané!
_ Vira essa boca pra lá hô azarento! Teu negócio e cachaça e minha cachaça é mulé.
Um anúncio sarcástico ecoa no meio da discursão:
_ Chegaaaaaaamoooos!
Desconfiado, um dos sucaneiros pergunta ao anunciante:
_Ho meu! Cadê o hotel? Só to vendo casas.
Um outro sucaneiro animadinho o repreende:
_ Fica quieto estressadinho. Deve ser um hotel tipo pousada.
_Vão bora! vão bora! Falou o chefe do grupo.
Descemos da viatura e lá estava nosso hotel. Imponente. Três andares. Estilo Oscar Nyemair com sua arquitetura robusta e de muitas curvas que de lonje se via. Com excessão dos sucaneiros é claro. Pasmados pela surpresa, todos boqueabertos frente a aquele monumento de nome muito conhecido do carioca: CENTRO INTEGRADO DE EDUCAÇÃO PÚBLICA (CIEP).
Um misto de ódio com decepção, agregados à vontade de matar aquele filho da..... piiii . Ele dava gargalhadas e tirava sarro da nossa cara.
_ Pô meu ta tirando nós como otários. Esbravejou um valentão.
_ Nós vamos ficar nisso ai?
Como se não bastasse toda aquela situação, o filho de quenga rindo acrescenta, ao responder a pergunta do sucaneiro:
_ Sim vão ficar aqui! Só que com um detalhe:
_ Ta tendo aula de dia e vocês só vão poder usar o hotel à noite. ka ka ka ka. Parecia uma Iena.
_ Tu é um sacana seu cara de pau! Falou o chefe.


E viva a sacanagem !!!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O SUCANEIRO E O PÉ DE MANGA


Confraternização de final no galpão da garagem  das viaturas da sucam.

            Famílias reunidas, churrasco, brincadeiras, presentes e muita, muita cerveja mesmo. Dia de esquecer as diferenças, de se abraçar, de sorrir, de chorar. Mas um fato marcante, naquele dia festivo superou os prantos e deu lugar às gargalhadas e reflexões de o quanto a mente humana está vulnerável ao poder transformador do álcool.

            Um sucaneiro que nunca tinha visto tanta carne e bebida na vida dele resolveu arrumar um jeito de armazenar o que podia no seu estômago. Comeu e bebeu o que podia. Conseguiu mais beber que comer. Isto porque a cada cerveja tomada, em minutos era lançada fora pela urina e abria espaço no estômago do esfamido para mais uma. Só ficava dentro do desvairado o álcool necessário para fazê-lo delirar a ponto de começar a ter atitudes comprometedoras, desde cantadas nas esposas dos amigos a momentos de viadagem para animar a festa. O besta já não conhecia mais ninguém. Trocava o nome de todos. Literalmente chegou ao ponto de chamar periquito de meu loro. Insanidade total. 
          Convencidos, os amigos do alambique ambulante, de que não havia nenhuma condição do Beberrão ficar na festa, resolveram, com muito custo, tira-lo e levá-lo para casa que era bem próxima.

          Cambaleando das pernas e amparado por dois amigos, que também já estavam antenados no álcool, partiram para a missão junto com mais três amigos. Total de cinco.   
          No caminho, já com a visão multiplicada por dois, o cara num delirio inusitado, olha para o lado na calçada e esbraveja:
_ Tá olhando o que oh abestado?
Os amigos rindo perguntam:
_ Ta falando com quem oh maluco?
_ Me solta! Quero saber por que aquele cara ta me olhando e rindo da minha cara!
_ De quem você ta falando? Não tem ninguém ali !
_ Num sassarico desesperado o bebum de língua mole se solta dos amigos e parte pra cima do inimigo imaginário que só ele avistava.
É o efeito alucinógeno do maldito líquido inflamável!
_ Segura o cara maluco!Segura! Diziam os amigos enquanto o pudim de cachaça, se arregaçava de brigar com seu algoz inerte e indefeso.
_ Me ajuda aqui rapaziada o cara e covarde e ta jogando pedra! Reclamava o bebum ao cair sobre sua cabeça os frutos daquela meiga e inofensiva mangueira.
Socos, pontapés, cabeçadas rabo de arraia, golpes de capoeira, kung-fu. Todos os espiritos de artes marciais se manifestaram naquela hora. Parecia luta livre de um homem só. Pavor total dos amigos do cara, que não se atreviam a separar a briga louca! Quando tentam separar, os amigos do louco são confundidos por ele  com a gangue do adversário. Então ele diz:
_Acabou as pedras agora vocês vão me juntar? Pode vir os dez que eu vou arregaçar com vocês.Vem, vem! Eram os cinco amigos do cara.
_ Que delírio meu! Falou um dos amigos.
Já bufando de tanto bater. Cara ralada, mãos sangrando, o sucaneiro se rende ao cansaço e quase desmaiado de tanto álcool, se deixa levar para casa.

            No dia seguinte, com a notícia rolando pelas rádios sucam, todos já sabiam e não acreditavam nos relatos comentados de quem viu e sobreviveu àquela guerrilha sangrenta. Mas eis que surge na portaria do galpão da garagem um farrapo humano cheio de hematomas, esparadrapos, galos na cabeça, mancando como se tivesse sido atropelado por um trem. A cara era de poucos amigos. E isso se confirmou, quando o farrapo encontrou os amigos que estavam com ele no evento e mostrando uma desilusão profunda desabafa:
_ Vocês são uns traíras! Olha como eu to! Porque vocês sumiram e não me ajudaram com aquele cara? Ficaram com medo quando ele chamou mais dez pra ajudar? 
Pasmos e sem acreditar no que ouviram do então sóbrio bebum, perguntaram:
_ Cara você ta falando sério? Não se lembra de nada?
_ Lembro de vocês me deixando sozinho. Mas dei conta viu la?
Risos, gargalhadas frenéticas tomaram conta do ambiente. Um dos amigos resolveu então apresentar ao sucaneiro seu algoz. Quando chegou, Apresentou:
_ Sucaneiro esta e a dona mangueira, dona mangueira este é o sucaneiro que te esbofeteou ontem e quase deixa a senhora sem fruto nenhum. Desculpe o estrago ta bom?

            Um semblante imbecil toma conta do sucaneiro que tem que aguentar as brincadeiras dos amigos até o dia de hoje.
E viva a cachaça! Manga ? nunca mais !